Nuno Trigo, o “outro” olímpico do surf português


Independentemente do que a Seleção Nacional conseguir nos próximos World Surfing Games, Portugal terá dois representantes na estreia olímpica do surf, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.

Sim, dois, leu bem. Além da vaga nacional conquistada por Frederico Morais, o ano passado, nos World Surfing Games do Japão, Portugal terá um representante no painel de juízes que avaliará a prestação dos surfistas em prova. O seu nome é Nuno Trigo.

A maior parte dos fãs de surf nunca deverá ter ouvido falar do nome do juíz, mas há vários anos que Trigo é um dos mais conceituados representantes da escola de arbitragem nacional, tendo feito parte de painéis em todas as categorias nacionais e internacionais, desde os intersócios, onde começou a carreira, em 2002 — pela mão do colega de escola, Michel Amaro, nome icónico da arbitragem em Portugal—, até aos CTs.

“Era colega do Michel Amaro na escola secundária, em Mafra, e foi ele que me levou para a arbitragem. Ele tinha sido convidado pela Associação Nacional de Surfistas (ANS) para dirigir a primeira Liga e, no ano seguinte, convidou-me.”

Em 2004, com a reconciliação da ANS e FPS, Nuno Trigo foi integrado nos quadros da Federação e começou o percurso meteórico: circuitos de formação, etapas do nacional open e, em 2005, o primeiro Pro Junior ASP (atual WSL).

A escalada culminou em 2010, com o trabalho no primeiro Mundial de Peniche, (ainda “Rip Curl Search”). O próximo passo, a primeira oportunidade como chefe de juízes numa prova open (com testes prévios em etapas dos circuitos de formação).

Fazendo “fast forward” para o dia em que Nuno Trigo recebeu a notícia que ia estar em Tóquio para o maior evento desportivo do Mundo, o juíz nacional confessa: “Na verdade, já sabia desde Fevereiro. Estava de férias com a família e recebi o e-mail.”

A reação foi a expectável: “De êxtase. Uma alegria enorme ser selecionado para representar o meu país no expoente máximo do Desporto.”

Porque para Nuno Trigo, que fará parte de uma equipa de 11 elementos de sete nacionalidades, a escolha do seu nome é também o reconhecimento do valor da escola de arbitragem nacional.

“É o reconhecimento do trabalho da FPS e da qualidade da sua formação, sem dúvida”, diz Nuno Trigo.

Opinião a que subscreve o presidente da FPS, João Aranha: “A nomeação do Nuno Trigo é um reconhecimento da qualidade do trabalho que temos desenvolvido há vários anos, do investimento que temos feito nas provas da ISA, garantindo a presença de juízes portugueses nas provas mais importantes mas também, é claro, da qualidade individual do Nuno, que teremos grande prazer e orgulho em ver representar Portugal.”

A escolha de Nuno Trigo, aliás, foi criteriosamente decidida através das suas participações em competições da ISA nos últimos anos e de métricas rigorosas.

Há elementos muito próprios que definem um bom juíz? A questão colocada a Nuno Trigo tem uma resposta que nasce da experiência: “Tem de ter uma memória acima da média, boa capacidade de análise e comparação, e isso tem de ser baseado na memória. Depois, tem de ser um indivíduo calmo, tranquilo, que não sucumba à pressão.”

E, finalmente, quando chegar o “Dia D”, como vai ser estar nos Jogos Olímpicos?

“A atmosfera será diferente, todos estaremos na cerimónia, mas o evento em si será muito semelhante aos maiores eventos internacionais de surf. De resto, além de uma ansiedade boa de estar a representar o teu país. Mas no momento de me sentar, nada será diferente.xxx


Por Carlos Mariano/FPS
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