Concha Balsemão: “O meu objetivo agora é evoluir ao máximo”


Aos 17 anos, a surfista que nasceu a surfar na praia da Bordeira, no concelho de Aljezur, na Costa Vicentina, está a usufruir de uma oportunidade fantástica. É a segunda vez na Austrália, mas desta vez a estadia é claramente mais longa. O objetivo de Concha Balsemão passa, obviamente, pela evolução técnica do surf. Fomos ver como tudo está a correr para a campeã Sénior da Taça de Portugal de Surfing.  

Olá Concha. Antes de mais, fale-nos do porquê da ida para a Austrália?

Em 2017 já tinha estado na Austrália a treinar um mês com o José Maria Pyrrait e com um grupo de miúdos. Na altura, adorei cá estar, foi uma das viagens mais marcantes que tive. Quando voltei para Portugal o meu pai queria muito fazer um ano fora do país, porque sempre viajámos muito e passar um ano fora iria ser uma experiência incrível. Contudo, foi só em 2019 que decidimos qual o país em que iremos passar um ano e, neste caso, foi a Austrália.

Quando pensa voltar a Portugal?

Nós temos bilhete de volta para Portugal em dezembro. Por isso, ainda vamos estar cá mais uns mesinhos. 

Por aqui o Coronavírus ainda não está muito forte e o governo não mandou as pessoas ficar em casa

Tem surfado junto de alguns dos surfistas da elite?

Sim, tenho surfado com vários surfistas da elite, como a Stephanie Gilmore, que é a minha surfista preferida, o Mick Fanning, Joel Parkinson, Ethan Ewing, Marck Occhilupo, entre muitos outros.

Tivemos conhecimento que se lesionou hoje [passada sexta-feira]. Como aconteceu?

Infelizmente, lesionei-me outra vez. Estava a ter um treino em Greenmount e o mar estava com bastante força, havia uma secção no inside que dava tubos e eu apanhei uma onda boa e comprida. Já tinha feito duas manobras e quando cheguei ao inside meti para dentro, mas como estava um bocado de backwash não encaixei bem o rail e fui chupada pela onda. Quando isso aconteceu todo o meu peso estava no pé de trás e o tornozelo torceu todo. Agora não vou poder surfar entre 4 a 6 semanas.

Não estou a pensar muito em resultados dos campeonatos, mas antes na evolução da técnica

Os australianos parecem não estar ainda muito conscientes da gravidade do coronavírus e estão constantemente a furar a quarentena, nomeadamente em Snapper Rocks. Como está a situação no país?

Por aqui o Coronavírus ainda não está muito forte e o governo não mandou as pessoas ficar em casa. Antes pelo contrário, temos de ir à escola e continuar com as nossas vidas, mas claro que temos de ter atenção e fazer o que o resto do mundo está a fazer tal como lavar as mãos sempre que possível, não mexer na cara, etc.

Teme que fique pior?

Eu acho que vai piorar, cada vez há mais casos e tenho quase a certeza que também nos vão mandar ficar em casa de quarentena quando isto piorar. 

(…) sei que cada vez há mais miúdas envolvidas no surf português, o que me deixa muito contente

Agora que se lesionou, vai optar por fazer finalmente a quarentena?

Mesmo lesionada tenho de ir à escola porque estou no 12º ano e tenho exames daqui a uma semana. Para além disso, o governo de Queensland não nos deixa ficar em casa, então tenho de cumprir as regras.

Falando no futuro. Quais os objetivos assim a curto prazo? 

O meu objetivo agora é evoluir ao máximo. Não estou a pensar muito em resultados dos campeonatos, mas antes na evolução da técnica. Tenho treinado muito para alcançar os meus objetivos, não só no surf como também na escola.

Inspiro-me muito na Stephanie Gilmore. Ela transmite uma alegria e humildade como pessoa incrível

A Concha compete regularmente na Liga*. Como tem vindo a assistir à evolução do surf feminino nacional? 

Sim, costumo competir na Liga MEO Surf e sei que cada vez há mais miúdas envolvidas no surf português, o que me deixa muito contente! Quantas mais melhor, pois assim podemos puxar umas pelas outras para evoluirmos mais.

Em que surfistas se inspira?

Inspiro-me muito na Stephanie Gilmore. Ela transmite uma alegria e humildade como pessoa incrível, vejo muitos dos seus videos e inspiro-me muito no seu estilo a surfar. Outra grande inspiração é a Bethany Hamilton. Acho que ela é a inspiração em pessoa, por tudo o que ela passou e onde está agora. Excelente surfista, casada com dois filhos e a inspirar muita gente pelo Mundo.

(…) eu adoro Portugal e orgulho-me de ser portuguesa, mas na Austrália a cultura de surf é muito maior

Uma última questão. O que tem a Austrália que Portugal não tem?

A Austrália, na minha opinião, tem um estilo de vida que Portugal não tem para um surfista. Atenção, eu adoro Portugal e orgulho-me de ser portuguesa, mas na Austrália a cultura de surf é muito maior. Toda a gente faz surf aqui e, principalmente onde eu moro, a água é quente e as ondas são excelentes. Estou a estudar na Palm Beach Currumbin State High onde consegui entrar para um programa de surf chamado “Surf Excellence” em que tenho três aulas por semana com dois treinadores incríveis e um grupo com muito nível. Para além disso, consigo surfar 2 horas ou mais antes da escola e mais 3 horas depois se conseguir. Por isso, acho que não podia perder esta oportunidade na minha vida!

Obrigado, Concha… e votos de uma recuperação rápida. xxx

* Em 2019, na Liga MEO Surf conseguiu dois terceiros lugares, na Ericeira e no Amado, tendo ficado em 7.º lugar no ranking final. 
** Fotos de arquivo pessoal @joliphotos @ansurfistas @matrenophoto @jmcsurftraining
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