O meu wildcard para Peniche


Face ao burburinho causado pelo último post de Guilherme Fonseca no Instagram, que podem ver/ler mais abaixo, decidimos recuperar um texto antigo de um dos nossos escribas de serviço, datado de 15 de outubro de 2015.

Falava-se, na altura, do dilema do wildcard local para a etapa do circuito mundial em Peniche – que, na perspetiva do autor, deveria ter sido entregue a Gui Fonseca. Cerca de 7 anos mais tarde, o tema voltou a ganhar cor e protagonismo, fomentando ao longo desta semana algumas discussões e até justificações de pessoas diretamente envolvidas com a WSL. No entanto, a verdade é que, passado este tempo, o CT de Peniche continua a ter lugar sem contemplar wildcards locais. Até hoje o Gui continua a treinar por Peniche, mas ainda não teve a honra de receber um convite para se juntar à elite mundial. Isto dá que pensar.


O MEU WILDCARD PARA PENICHE
Uma dica honesta e despreocupada para os responsáveis da World Surf League.

Há dias, o Tiago Pires foi o segundo surfista português a ser escolhido pela World Surf League (WSL) para ingressar no Moche Rip Curl Pro Portugal, a penúltima etapa do World Tour 2015 que tem lugar em Peniche entre os dias 20 e 31 de outubro.

Tiago preencheu a vaga oferecida pela WSL – graças à presente lista de lesões no top – e foi até o próprio que fez o anúncio nas redes sociais, mencionando na altura que “Vai ser muito bom estar entre os ‘big boys’ outra vez. Que seja para contar!”

Depois de ter saído do World Tour e da elite do surf mundial, no final de 2014, onde competiu durante sete temporadas ao mais alto nível, o surfista de agora 35 anos volta assim a reencontrar os companheiros do top 34. Desta vez, porém, Saca irá apresentar-se ao público e aos fãs portugueses livre de qualquer pressão, um pequeno pormenor que poderá dar azo a um bom resultado. Ele que neste momento ocupa o 89º lugar no ranking de qualificação.

Portanto, por tudo o que fez e continua a fazer em prol do surf português, não deixa de ser, sem dúvida, uma recompensa mais do que merecida para o emblemático top surfer da Ericeira.

Já a convocatória (wildcard) de Vasco Ribeiro, 20 anos, que surgiu na sequência de ser o melhor atleta do Moche Surf Team no ranking mundial, também já nos tinha enchido – a nós, portugueses – de orgulho uns dias antes. Nunca é demais sublinhar: ambas as presenças são totalmente merecidas. E para tal também não devemos esquecer o desempenho avassalador do jovem de São João do Estoril quando na reta final do ano passado venceu o Mundial de Juniores em Ribeira d’Ilhas, conquistou o Pro Junior Europeu e ainda averbou o terceiro título nacional open ao currículo desportivo. Wow!

Por parte da WSL falta agora revelar o nome do segundo wildcard para o CT português. A revelação deve acontecer logo após o final do Quiksilver Pro France, mas como o havaiano Mason Ho – um dos principais riders da Rip Curl – já se encontra a treinar pela península de Peniche (de acordo com o que corre por aí) não é difícil descortinar quem será.

Até aqui tudo bem, totalmente justíssimo, mas na verdade quem eu gostava de ver a competir entre os grandes era simplesmente um dos filhos da terra e um dos nomes do futuro do surf nacional. Curiosamente, também faz parte do Rip Curl Team. Trata-se de Guilherme Fonseca, 17, Tricampeão Nacional Sub-18 e Vice-Campeão Nacional Pro Junior.

Não sei se fará muito sentido, mas estou a pensar apenas no futuro do surf nacional. E isto, claro, sou apenas eu a falar. xxx


Nota: Texto recuperado de outubro de 2015.
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